Corpolatria é uma espécie de “patologia da modernidade” caracterizada pela preocupação e cuidado extremos com o próprio corpo não exactamente no sentido da saúde (como no caso da hipocondria) mas particularmente no sentido da aparência ou embelezamento físico.
Para o corpolatra, a própria imagem reflectida no espelho é incapaz de o satisfazer, sempre achando que pode e deve aperfeiçoá-la. Sendo assim, a corpolatria manifesta-se como o exagero no recurso às cirurgias plásticas, gastos excessivos com roupas e tratamentos estéticos, abuso do fisiculturismo (musculação, uso de anabolizantes, etc).
A corpolatria, como fenómeno psico-social, aparentemente está relacionada com as mudanças no campo do trabalho produtivo ocorridas no final do século XX, a saber, desde que a distinção entre produção e reprodução social perdeu nitidez, confundindo-se o tempo vital com o tempo de trabalho. Desde então, em muitas profissões e ocupações a aparência corporal e o vigor físico passaram a ser uma espécie de segunda força produtiva ao lado da força de trabalho propriamente dita.
Sendo assim, não é apenas por que as pessoas cuidam do corpo e da saúde que elas exercem a corpolatria, mas sim se o exagero com os cuidados corporais ficam em primeiro lugar e a saúde de facto fica esquecida em segundo plano. A beleza se torna uma prioridade incansável na vida da mulher, enfim, o culto ao corpo ultrapassa os limites do próprio corpo permeando a patologia.